Celebração pela data, 24 de fevereiro, foi organizada pela Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos e teve como foco a força das mulheres como protagonistas no espaço de poder

A Secretaria de Políticas para Mulheres e Direitos Humanos (SMDH) de Volta Redonda conseguiu atrair, na última segunda-feira (24), um bom público, principalmente de mulheres em funções de lideranças nas comunidades e de gestoras públicas, para festejar o dia 24 de fevereiro – data que lembra o dia da conquista do voto feminino. A comemoração aconteceu no plenário da Câmara Municipal, no bairro Aterrado.

Na mesa de debate estiveram presentes a secretária municipal de Políticas para Mulheres, Glória Amorim; o deputado estadual Munir Neto; a subsecretária da SMDH, a advogada Juliana Rodrigues; a psicóloga Juliana Sampaio (assessora de Promoção de Política de Igualdade Racial da SMDH); as vereadoras Carla Duarte e Gisele Kinger; a ex-prefeita e ex-deputada estadual Inês Pandeló; a pedagoga e integrante da AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras), Adriana Valle Mota; a delegada Juliana Montes, titular da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). O debate foi conduzido pela assessora de Políticas para Mulheres da SMDH, Kátia Teobaldo, que também fez parte da mesa.

A secretária Glória Amorim abriu o evento agradecendo às convidadas e ao deputado Munir Neto, que aceitaram o convite, e elogiou o público. “Eu fico feliz de ver a casa cheia de mulheres e homens para participar dessa comemoração da conquista do voto feminino pelas mulheres que lutaram por isto, enfrentando um ambiente de política machista. Antes eram os homens que ocupavam todo o espaço de poder e discutiam sobre o que poderiam conceder de direitos para as mulheres que não podiam votar, não tinham direito a uma conta bancária. A função da nossa secretaria é lutar, fazer acontecer as políticas públicas para que as mulheres tenham a sua autonomia, a sua independência econômica. A minha gratidão a todos e todas que estão aqui presentes homenageando a quem lutou por nós no passado. Essas mulheres corajosas. É uma luta permanente, uma tarde de celebração e de reconhecimento, de valorização da conquista do voto feminino, do direito das mulheres à participação como protagonistas na sociedade brasileira”, afirmou.

Homenagem

O deputado estadual Munir Neto considerou uma honra ter sido convidado para participar do debate pelo Dia da Conquista do Voto Feminino, que completou 93 anos. “A palavra é de vocês. É muito importante a participação da mulher na sociedade brasileira. Parabéns às mulheres que estão presentes e que lutam por seus direitos na política. Negar direitos à mulher de participação é negar os direitos de mais da metade da população do país. O meu gabinete está à disposição na Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro) para projetos, leis, na defesa dos direitos das mulheres”, enfatizou.

O deputado aproveitou a ocasião para fazer uma surpresa para a secretária Glória Amorim, com a entrega de um banner com a frase “Uma mulher à frente do seu tempo”, destacando a atuação política ao longo da vida da secretária, contribuindo com as conquistas femininas no município, ampliando os espaços de poder na política para as mulheres.

Glória Amorim já ocupou o cargo de vice-prefeita eleita de Volta Redonda, a primeira mulher no cargo; atuou pela criação da Coordenadoria da Mulher, hoje a secretaria por ela comandada; criou o projeto “Mulheres Mãos à Obra” – pioneiro no estado do Rio –, que qualifica mulheres para a construção civil; criou o grupo de mulheres na Igreja Nossa Senhoras das Graças; foi presidente da associação e participou da construção de casas populares em três bairros da cidade.

Importância do debate

A subsecretária da SMDH, Juliana Rodrigues, citou a responsabilidade da reunião para celebrar uma conquista histórica para as mulheres, que não apenas mudou o rumo da nossa sociedade, mas que ainda hoje reverbera como um marco fundamental para a democracia.

“O direito ao voto feminino, conquistado após décadas de luta, não foi um simples privilégio, mas um êxito das mulheres que desafiaram uma sociedade patriarcal que as excluía das esferas do poder. A luta pela conquista do voto feminino foi longa e árdua. Mulheres de diferentes classes sociais, com histórias e origens diversas, se uniram para quebrar o silêncio imposto a elas. Enfrentaram desprezo público, perseguições políticas e até prisões, tudo para garantir o direito de participar ativamente das decisões que moldam o futuro de suas famílias, comunidades e de toda a nação. A luta delas não foi apenas pela obtenção de um direito, mas pela garantia de uma democracia mais representativa, mais justa e igualitária, ampliando o espaço das mulheres na política, permitindo que elas participassem das decisões políticas e influenciassem as políticas públicas”, disse Juliana Rodrigues.

A subsecretária lembrou ainda que o direito ao voto feminino trouxe mudanças significativas nas políticas públicas como aquelas voltadas ao acesso a saúde, educação, ao combate à violência doméstica e à criação de programas que atendem diretamente as mulheres em situação de vulnerabilidade social. Sendo que cada voto feminino carrega consigo a história de resistência e coragem das mulheres que lutaram para conquistar esse direito e de todas as que, ainda hoje, continuam a batalhar por um futuro mais igualitário.

“No entanto, embora legalmente todas as mulheres tenham direito ao voto, as barreiras estruturais e sociais ainda limitam sua plena participação no processo político, refletindo desigualdades persistentes. As mulheres negras, indígenas e trans, por exemplo, continuam marginalizadas em nosso sistema político. Suas lutas por participação política são muitas vezes desvalorizadas, com suas demandas sendo ignoradas, candidaturas políticas raramente contempladas, visibilidade e participação limitadas. É importante neste momento refletirmos sobre o quanto ainda há por fazer, é necessário o nosso comprometimento diário. Não podemos permitir que as conquistas das mulheres que vieram antes de nós sejam esquecidas. Ao contrário, devemos seguir com sua luta, participando ativamente do processo político e garantindo que nossas vozes nunca sejam silenciadas”, frisou Juliana.

Pronunciamentos

Todas as mulheres convidadas à mesa tiveram 15 minutos de direito à palavra. A vereadora Carla Duarte deu o seu recado: “Falar do voto feminino é falar da mulher no espaço de poder, porque antes ela ficava confinada. Isso está mudando com muita luta. O dia de hoje é a prova que a gente, mulheres juntas, podemos mudar o mundo. Agradeço à vereadora Orsina Prado que nos abriu essa porta. Como candidata à vereadora, tive muitos desafios, julgamentos e pensei até em desistir. Mas o meu partido foi o único que me aceitou como candidata e fui muito bem recebida nas ruas de Volta Redonda. A gente é capaz de fazer muita coisa, basta a gente se fortalecer. Eu fui a sexta candidata mais votada nesta eleição e a primeira do meu partido. Estou nesse lugar para poder fazer a diferença, e para que as vozes de vocês sejam ouvidas. A diversidade nos faz crescer, perder o medo. Quando a mulher se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela”.

A pedagoga e mestra do Programa de Estudos Pós-Graduados em Política Social da UFF (Universidade Federal Fluminense), feminista e integrante da AMB (Articulação de Mulheres Brasileiras), Adriana Mota, saldou a todas as mulheres que estão comprometidas na defesa dos direitos das mulheres no município.

“O direito ao voto foi conquistado em 1932 pelas mulheres, mas não era obrigatório e somente as alfabetizadas e com renda poderiam votar. Com isso, uma parcela de mulheres permanecia sem poder votar e ser votada, como as mulheres negras. Em 2024, tivemos 155 mil mulheres candidatas em todo o Brasil, sendo eleitas vereadoras pouco mais de 4 mil mulheres. Entre as prefeitas, 728 candidatas a este cargo executivo foram eleitas. No entanto, em 3.578 cidades não havia mulheres disputando esse posto. Os desafios ainda são muitos e precisamos avançar na efetivação da democracia, buscando mais espaços para as mulheres”, concluiu Adriana Mota.

A ex-prefeita e ex-deputada Inês Pandeló, atualmente na assessoria da Casa da Moeda, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, afirmou que “os direitos das mulheres ainda estão correndo riscos e que precisam ficar atentas para defendê-los”.

A vereadora Gisele Klinger falou da união da bancada feminina na Câmara – ela e Carla Duarte – na defesa dos projetos em defesa dos direitos das mulheres, crianças e adolescentes. “A vereadora Carla é a minha parceira na Câmara de Vereadores e vamos nos entender na busca por melhorias nos direitos da mulher, crianças e adolescentes. A conquista do voto em 1932 teve muita luta e estamos aqui em 2025 como resultado dessa conquista. E compete a nós lutar para que nossos direitos sejam respeitados. Temos um eleitorado de 53,3% de mulheres em Volta Redonda e pensar que não tinha antes nenhuma mulher eleita. A conquista do voto somente foi possível porque as mulheres lutaram por este direito, elas se uniram. Se não formos protagonistas da nossa história, ninguém será!”

Conquista – A conquista veio por meio de um decreto-lei no ano de 1932 (do então presidente da República), que garantiu o direito ao voto para as mulheres alfabetizadas. Isso aconteceu depois que um grupo de mulheres sufragistas promoveram diversas atividades públicas em campanha pela conquista deste direito de votar. Em 1934 o direito ao voto feminino fez parte da primeira Constituição Brasileira. Em 1946 o voto se tornou obrigatório para ambos os sexos.

Foto de Cris Oliveira – Secom/PMVR.

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